Se prestarmos atenção no que dizem os residentes do Second Life é bastante recorrente as afirmações que indicam uma certa decepção, em menor ou maior grau, com o metaverso. Costumamos ouvir pessoas dizendo que estão querendo parar de entrar e abandonar a segunda vida (muitos dos que realizam este desejo acabam retornando). Sem querer esgotar o tema, gostaríamos de fazer algumas considerações a respeito deste sentimento, que talvez possa ajudar a evitar ou mesmo reconsiderar.
Decepção, via de regra, é o nome que damos ao espaço vazio que surge da diferença entre aquilo que superdimensionamos em nossas expectativas e a realidade da coisa. Ou seja: expectativa – realidade = decepção. Logo, na quase totalidade dos casos, quanto mais próximas estiverem uma da outra, menor será a frustração. É fundamental perceber, então, a necessidade de equilibrar os dois termos, nivelar ao máximo aquilo que imaginamos previamente ser algo e o que esta coisa é em si. Como geralmente é muito mais complicado modificar algo de acordo com o que queremos que seja, o caminho parece ser ajustar o foco de nossa percepção para termos presente uma representação o mais adequada possível da coisa.
Tá! Tudo bem! O papo tá meio “cabeça”, mas é apenas uma introdução necessária. Daqui pra frente vai ficar mais tranqüilo, pois vamos tentar aplicar esta “teoria” à realidade do que experimentamos no SL… sigamos em frente!
Cada um dos residentes do Second Life traz consigo um conjunto próprio de razões para estar presente no metaverso. algumas destas razões são quase universais, outras são bastante singulares, mas o fato é que cada um tem sua própria percepção do que seja o SL. Dois fatores em especial contribuem para esta pluralidade: primeiro, o modo como o SL nos foi apresentado, e segundo, as experiências que vamos acumulando ao vivenciarmos o metaverso. Isto não significa que temos tantos SLs quanto pessoas que controlam avatares, mas tão somente que a complexidade deste mundo virtual torna-o apto a ser, até certa medida, aquilo que queremos que ele seja. Em última análise, o SL não é objetivamente a maior das maravilhas nem o pior dos pesadelos, mas tão somente uma possibilidade dentre muitas outras de realizarmos coisas maravilhosas ou terríveis. Um espaço aberto para transformarmos em ato aquilo que somos de fato e o que desejamos.
E o que há entre o céu e o inferno? Há a concretude das coisas, aquilo que as coisas são. Ora, o que há de mais concreto em um mundo virtual se não as pessoas que ao interagirem neste metaverso emprestam realidade a ele? O Second Life é feito de gente. Pessoas que controlam avatares e que chegaram ali com suas histórias, suas qualidades, seus defeitos, seus desejos e seus medos. Podemos simular virtualmente toda realidade, mas não se pode esquecer que por trás de cada avatar existem pessoas com sentimentos. E sentimentos não são simuláveis. Avatar não tem mente nem coração.
Quando encontrar alguém dizendo que quer sair do SL, e quiser saber de fato o que aconteceu, não pergunte “por que”, mas sim “por quem”. Há sempre um alguém (ou “alguns”) por trás das frustrações com o SL. A própria pessoa ou outra qualquer, justificável ou não, mas sempre gente.
Sendo assim, o desafio de construir experiências gratificantes no Second Life não é muito diferente do desafio de fazê-lo na vida real, naquilo que depende das redes de relacionamento interpessoais que estabelecemos. Contribuem para esta construção os princípios éticos e morais que tornam os relacionamentos interpessoais realmente enriquecedores: respeito, honestidade, lealdade, cordialidade, sinceridade, gratidão, senso de justiça, dentre outros. Assim, tendo claro que jamais estaremos livres dos percalços ocasionais, é possível sim sonhar com uma segunda vida que seja prazerosa e enriquecedora.
Grande abraço pra todos vocês. E fiquem a vontade para comentar…
PERFEITO !!!